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Arachis hypogaea

CULTIVO DO AMENDOIM: DO PLANTIO AO ARMAZENAMENTO

O cultivo e a produção de amendoim são atividades agrícolas importantes em diversas regiões do Estado de São Paulo, com uma concentração de 80% da produção brasileira. O produto destina-se principalmente à indústria de confeitaria, venda/consumo in-natura, e fabricação de óleo.

Hoje, a área estimada de plantio está em torno de 150.mil hectares, distribuídos entre as lavouras conduzidas neste novo padrão tecnológico (São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Bahia) e os pequeno cultivos familiares em diversos Estados de Norte a Sul do País.

Para o plantio do amendoim, um solo bem preparado oferece condições para germinação e desenvolvimento das plantas e, consequentemente, para boa produtividade. As áreas de cultivo do amendoim requerem uma apreciável movimentação de solo, por isso, a importância de adotar práticas conservacionistas para o controle da erosão. O plantio da leguminosa sobre palhada de culturas e de cana também é viável, mas deve seguir recomendações específicas e usar equipamento de plantio adequado, para o sucesso desta prática. Culturas como milho, sorgo e cana oferecem meio favorável para germinação, emergência e desenvolvimento do sistema radicular do amendoim.

A calagem é de particular importância para a produção de amendoim não só para corrigir a acidez do solo como para disponibilizar cálcio para as vagens em formação. Estas absorvem a maior parte deste elemento através da casca, diretamente da solução do solo. Cultivares que possuem grãos de tamanho maior tendem a ser mais exigentes em cálcio.
Fósforo e potássio são os macronutrientes também importantes para o amendoim e devem ser supridos ao solo (adubação), conforme a necessidade. Para realizar uma adubação equilibrada, é necessário proceder à análise do solo.

Os solos das regiões produtoras apresentam populações naturais de bactérias fixadoras de nitrogênio no amendoim. Desta forma, em geral, não há necessidade de adubação química com este elemento. Entretanto, a adição de pequena quantidade de nitrogênio (10 Kg de N/hectare) no plantio pode ser benéfica para estimular a atividade bacteriana.
Os melhores meses para plantio em São Paulo são setembro e outubro, na safra de primavera/verão, e fevereiro/março, no plantio de segunda safra.

Os plantios de setembro são os que alcançam maior produtividade se comparados aos meses mais tardios, desde que haja temperatura e umidade no solo para assegurar a plena germinação e desenvolvimento inicial das plantas. Nos plantios de fevereiro/março, em sequeiro, há riscos de perdas de produtividade devidas a estiagem no final do ciclo. Assim, não se recomenda o plantio de cultivares de ciclo longo nesta época.

O espaçamento médio entre linhas, recomendado para os cultivares de porte ereto, é, em média, de 60 centímetros (com variações, como 50 x 50 x 70 cm) e a densidade de semeadura é de cerca de 20 sementes por metro de linha. Para cultivares rasteiros, o espaçamento médio entre linhas deve ser de 80 a 90 centímetros, deixando-se cair de 17 a 18 sementes/metro. A profundidade de plantio varia, em geral, entre 5 e 8 centímetros (é recomendado plantios mais profundos para solos arenosos). O espaçamento entre linhas pode variar em função das operações mecanizadas na colheita.
As melhores sementes para o plantio são as certificadas, produzidas por empresas credenciadas. O uso freqüente de sementes próprias ou sem certificação de qualidade pode representar significativas perdas de produtividade e qualidade comercial do amendoim. A escolha do cultivar a ser plantado deve basear-se no conhecimento sobre o desempenho do cultivar na região e na demanda do produto pelo mercado.

As plantas de amendoim, para seu pleno desenvolvimento e produtividade, requerem uma lavoura protegida de ervas daninhas, pragas e doenças. Para isto, é necessário lançar mão de produtos químicos (defensivos) para o controle desses fatores indesejáveis. Alguns cultivares apresentam diferenças de comportamento em relação a esses fatores, assim como as ervas daninhas, pragas e doenças podem ocorrer de forma variável de acordo com a região, o clima e as condições da área de plantio. Para informações mais detalhadas sobre a sua ocorrência, práticas de manejo e controle, é importante consultar a literatura, bem como os técnicos especializados.

Na época da colheita, a identificação do ponto ideal para arranquio das plantas requer um acompanhamento freqüente da maturação das vagens, pois estas não se formam ao mesmo tempo. Para o reconhecimento da melhor época de colheita, recomenda-se percorrer a lavoura em intervalos de alguns dias e arrancar plantas, estimando-se a proporção de vagens maduras em cada uma. Nos amendoins tipo Valência (cultivares eretos/precoces), a observação do desenvolvimento dos grãos e da cor da parte interna da casca (marrom-escura quando o amendoim está maduro) é o método mais prático para se identificar o ponto de maturação. Nos cultivares rasteiros, a melhor identificação é feita através da coleta de todas as vagens da planta e raspagem da parte dorsal traseira externa da casca. Nas vagens maduras, o tecido logo abaixo da casca terá a coloração marrom escura ou quase preta. Nas vagens imaturas, este tecido é claro ou levemente acastanhado. Em geral, decide-se pela colheita, quando 60 a 70% das vagens das plantas amostradas apresentarem a coloração escura.

A colheita do amendoim é realizada com duas operações: o arranquio e o enleiramento das plantas no campo (onde permanecem por alguns dias para secagem natural ou “cura”). A colheita ou “trilha” é o despendoamento ou retirada das vagens. Em lavouras comerciais, há máquinas que realizam ambos os processos (arrancadores/invertedores; recolhedoras) mecanicamente, com alto rendimento. O enleiramento (ou inversão das plantas) consiste no posicionamento das plantas em linhas uniformes ao longo do campo, com as vagens voltadas para cima, sem contato com o solo.

O amendoim recém-colhido, e antes de ser armazenado, deve ser seco adequadamente para prevenir o desenvolvimento de fungos, principalmente os produtores de aflatoxina. Na ausência de secadores artificiais, a secagem das vagens deve ser feita integralmente no campo, ao sol, por um número de dias que seja necessário para retirar a umidade. Idealmente, esta umidade deve ser no máximo de 8%, para que o produto possa ser armazenado com total segurança. Atualmente, os amendoins de lavouras que visam alto padrão de qualidade, são transportados, logo após a colheita, para secadores artificiais. Neste caso, não há necessidade de que as plantas permaneçam enleiradas no campo durante muitos dias. A secagem artificial de amendoim requer equipamentos especialmente desenhados para este fim, e, o seu manuseio, requer conhecimentos necessários para que o produto não perca as suas qualidades alimentícias.

Fonte: GODOY. Ignácio José. Instituto Agronômico (IAC)- Instruções básicas para cultivo de amendoim.

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